terça-feira, 26 de janeiro de 2010

*Certas Coisas - Lulu Santos*

Não existiria som
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz.
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e sons,
Tem certas coisas que eu não sei dizer...

A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz,
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e sons,
Tem certas coisas que eu não sei dizer...
E digo...


Essa postagem não tem imagens como todas as outras porque a própria letra da música já nos faz construir na imaginação as imagens de sensações tão paradoxais...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ivan Lins - Vieste

Durante a nossa vida as pessoas vêm e vão.
Algumas apenas passam, outras passam e ficam guardadas em nossos coraçãos, deixam marcas profundas e sentimentos bonitos.
Essa música e para todos que passaram pela minha vida e deixaram sua marca...

sábado, 23 de janeiro de 2010

***Ausência***


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.




Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

*Liberdade*

Livre,
Irei
Buscar a
Esperança
Renovada
Dentro da
Alma que
Deixei
Esquecida...


Vanessa

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

*Quimera*



Você é uma quimera, um desejo, uma ilusão que jamais será minha...

Sinto sua falta...

domingo, 17 de janeiro de 2010

*Menina*


Não chores minha menina,
Não derrame suas lágrimas
Pela tristeza das escolhas de alguém....

O mundo é egoísta,
Você não é.
Você é um ser iluminado,
Que assume seus riscos e
Procura vencê-los diariamente.

Não se fez de fraca diante dos obstáculos,
Venceu seus medos e receios mais profundos,
E teve a doce ilusão de que todos seriam como você...

Ah minha menina... A ilusão,
quando assume a realidade dói,
faz sofrer, mas também ensina.

Você ainda vai chorar muito,
Vai se decepcionar muito
Mas vai sobreviver
Só os fortes sobrevivem...

E você é forte,
Você é brava,
Você é a minha heroína, minha menina!

Vanessa


Para alguém muito especial, que anda sofrendo e chorando demais...
Não se esqueça que esta mãe desnaturada te ama muito...

* Fênix - Jorge Vercilo *


Eu,
prisioneiro meu
descobri no breu
uma constelação

Céus,
conheci os céus
pelos olhos seus
Véu de contemplação

Deus,
condenado eu fui
a forjar o amor
no aço do rancor
e a transpor as leis
mesquinhas dos mortais

Vou
entre a redenção
e o esplendor
de por você viver

Sim,
quis sair de mim
esquecer quem sou
e respirar por ti
e assim transpor as leis
mesquinhas dos mortais

Agoniza virgem Fênix
(O amor)
entre cinzas, arco-íris e esplendor
por viver às juras de satisfazer
o ego mortal

Coisa pequenina,
centelha divina,
renasceu das cinzas

Onde foi ruína
pássaro ferido
hoje é paraíso

Luz da minha vida,
pedra de alquimia
Tudo o que eu queria
Renascer das cinzas

Quando o frio vem
nos aquecer o coração
Quando a noite faz nascer
a luz da escuridão
e a dor revela a mais
esplêndida emoção
O amor

sábado, 9 de janeiro de 2010

*** realidade ***


"... a realidade não é apenas o que o olho vê e não somente o que o ouvido escuta e o que a mão pode tocar, mas também o que se esconde do olho e do toque dos dedos e se revela às vezes, só por um momento, para quem procura com os olhos do espírito e para quem sabe ficar atento e ouvir com os ouvidos da alma e tocar com os dedos do pensamento."

Amós Oz

Extraído da obra "De repente, nas profundezas do bosque"

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

*Ausência*


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


Vinícius de Moraes

*Começo a conhecer-me. Não existo.*

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.


Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)