domingo, 17 de janeiro de 2010

*Menina*


Não chores minha menina,
Não derrame suas lágrimas
Pela tristeza das escolhas de alguém....

O mundo é egoísta,
Você não é.
Você é um ser iluminado,
Que assume seus riscos e
Procura vencê-los diariamente.

Não se fez de fraca diante dos obstáculos,
Venceu seus medos e receios mais profundos,
E teve a doce ilusão de que todos seriam como você...

Ah minha menina... A ilusão,
quando assume a realidade dói,
faz sofrer, mas também ensina.

Você ainda vai chorar muito,
Vai se decepcionar muito
Mas vai sobreviver
Só os fortes sobrevivem...

E você é forte,
Você é brava,
Você é a minha heroína, minha menina!

Vanessa


Para alguém muito especial, que anda sofrendo e chorando demais...
Não se esqueça que esta mãe desnaturada te ama muito...

* Fênix - Jorge Vercilo *


Eu,
prisioneiro meu
descobri no breu
uma constelação

Céus,
conheci os céus
pelos olhos seus
Véu de contemplação

Deus,
condenado eu fui
a forjar o amor
no aço do rancor
e a transpor as leis
mesquinhas dos mortais

Vou
entre a redenção
e o esplendor
de por você viver

Sim,
quis sair de mim
esquecer quem sou
e respirar por ti
e assim transpor as leis
mesquinhas dos mortais

Agoniza virgem Fênix
(O amor)
entre cinzas, arco-íris e esplendor
por viver às juras de satisfazer
o ego mortal

Coisa pequenina,
centelha divina,
renasceu das cinzas

Onde foi ruína
pássaro ferido
hoje é paraíso

Luz da minha vida,
pedra de alquimia
Tudo o que eu queria
Renascer das cinzas

Quando o frio vem
nos aquecer o coração
Quando a noite faz nascer
a luz da escuridão
e a dor revela a mais
esplêndida emoção
O amor

sábado, 9 de janeiro de 2010

*** realidade ***


"... a realidade não é apenas o que o olho vê e não somente o que o ouvido escuta e o que a mão pode tocar, mas também o que se esconde do olho e do toque dos dedos e se revela às vezes, só por um momento, para quem procura com os olhos do espírito e para quem sabe ficar atento e ouvir com os ouvidos da alma e tocar com os dedos do pensamento."

Amós Oz

Extraído da obra "De repente, nas profundezas do bosque"

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

*Ausência*


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


Vinícius de Moraes

*Começo a conhecer-me. Não existo.*

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.


Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)

sábado, 2 de janeiro de 2010

* Será que vale a pena fazer resoluções para o ano novo? *


Pessoalmente eu respondo que não. Não vale a pena fazer resoluções para o ano que se inicia.

Ao refleir sobre as minhas certezas ao final de 2008 e o que aconteceu no decorrer de 2009 eu diria que quase nada do que eu planejei ou queira para 2009 aconteceu.

Não que isso tenha sido ruim. Não, pelo contrário, foi muito bom. Tomei rumos diferentes, rumos novos.

Se alguém me perguntasse dia 1º de janeiro de 2009 se eu viveria o que eu vivi, eu responderia com absoluta certeza que não.

Vivi experiências diferentes, rumos novos, conheci pessoas novas que arejaram minhas idéias, me fizeram ver o mundo com outros olhos.

Não posso negar também que vivenciei coisas que me desagradaram, mas isso faz parte da nossa vida. A felicidade absoluta não existe e devemos aprender, por mais difícil que seja, com as tristezas e com as pedras no caminho.

Ao fazer um balanço de tudo posso dizer que planejar algo para o ano novo, fazer resoluções que mudarão a vida não fazem muito sentido. Devemos ter metas, objetivos claros, mas que isso deverá ser seguido a risca não.

Ter em mente o que se quer, lutar para isso e estar aberto a novas experiências é muito melhor que seguir receitas pré-estabelecidas para viver um novo ano.

Como eu disse no post anterior, nada melhor que viver ao sabor do vento, mas tendo os pés no chão, sabendo onde quer chegar e como chegar.


Feliz 2010!!!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

*Feliz Ano Novo*


Essa época sempre provocam grandes reflexões acerca do mundo, das nossas vidas. Ainda não consegui fazer a minha reflexão e as minhs resoluções para o próximo ano e acho que nem vou fazer. Ultimamente deixo a vida percorrer o seu caminho ao sabor dos ventos, ou, como diz Zeca Pagodinho:
"... Deixa a vida me levar
Vida leva eu
Sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu"
Feliz 2010 a todos!!!

sábado, 26 de dezembro de 2009

* Não sei quantas almas eu tenho... *


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

*Quem sou eu?*


Sou impossível de definir.

Sou alguém que está em constante transformação, alguém que se descobre a cada dia, que reflete sobre seus feitos e não se arrepende, mesmo tendo consciência de errar, mas aprende com os erros.

Tenho dias alegres, dias tristes, dias indiferentes...

Tenho esperança, tristeza, amor, paixão, dúvidas, anseios, metas, medos...

Talvez eu seja alguém que não consegue se definir com clareza porque não se conhece o suficiente para isso.

Sou alguém que busca a liberdade de voar como os pássaros, a serenidade dos sábios e o aconchego de um filhote recém-nascido.

Alguém que busca o auto-conhecimento, tenta compreender e amar o próximo.

Alguém que mesmo com tantos defeitos, reconhece a beleza da vida, a maravilha de acordar todos os dias e agradecer muito a Deus por mais essa oportunidade de viver.

Alguém que ama viver, que vive intensamente cada instante e é feliz por isso.

Eu sou alguém que está aprendendo muitas coisas novas, redescobrindo outras.

Alguém que o destino vem presenteando nos últimos meses com a oportunidade de VIVER INTENSAMENTE CADA SEGUNDO DA MINHA VIDA!

Alguém que se constrói a cada minuto, com cada acontecimento, com cada pequeno fato cotidiano.

Alguém que é IMENSAMENTE FELIZ!!!


Autor: Vanessa

*** Ilusão ***


O que é a ilusão?
Alguém consegue explicar porque ela existe?




Na definição de um dicionário ilusão é “erro de percepção ou de entendimento; engano dos sentidos ou da mente; interpretação errônea”. Mas será que a ilusão é um erro de percepção ou uma vontade íntima de viver ou sentir alguma coisa?
A ilusão pode ser boa, pode nos fazer sentir bem, mas como é efêmera, vai embora e deixa o gosto amargo do que poderia ter sido e não foi. Mas será que a ilusão traz só decepção e desilusão?
No mesmo dicionário ilusão traz outro sentido, mais poético, mais próximo das minhas ideias. Ilusão é “fantasia da imaginação; devaneio, sonho, quimera. É a promessa de prazer, de felicidade que se revela decepcionante, dolorosa ou efêmera; esperança vã; decepção, desilusão. Apesar disso não podemos negar que a ilusão, apesar de ser efêmera, pode ser benéfica quando nos faz buscar o que nos ilude e transformar em algo real, que pode ser sentido na sua plenitude.
A ilusão nos faz viver no mundo dos sonhos, das quimeras, dos devaneios, e isso pode ser bom, quando tira o homem da extrema racionalidade, da sistematização da vida, no entanto, não se deve ter a ilusão como companheira. A ilusão, quando se torna parte do homem traz consigo a dor, o sofrimento e a tristeza.